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O câncer de próstata é o tumor mais frequente entre os homens brasileiros, depois do câncer de pele não melanoma. Na maioria das vezes ele cresce devagar, e boa parte dos casos é descoberta cedo, quando as chances de cura são altas. Entender como a doença é rastreada, diagnosticada e tratada ajuda a tomar decisões com mais tranquilidade.

O que é o câncer de próstata?

A próstata é uma glândula do tamanho aproximado de uma noz, localizada abaixo da bexiga, que produz parte do líquido do sêmen. O câncer surge quando células da glândula passam a crescer de forma desordenada. O comportamento varia muito: há tumores tão lentos que nunca causariam problemas e há tumores agressivos, que precisam de tratamento rápido. Separar uns dos outros é o centro da urologia moderna.

Quem tem mais risco?

Os fatores de risco bem estabelecidos são:

  • Idade — o risco aumenta a partir dos 50 anos
  • Histórico familiar — pai ou irmão com câncer de próstata, principalmente antes dos 60 anos, ou vários parentes afetados
  • Ascendência africana — homens negros têm mais risco e, em geral, doença mais precoce
  • Alterações genéticas hereditárias — como no gene BRCA2, que pode aparecer em famílias com câncer de mama, ovário ou pâncreas

Até hoje, não há evidência de alta qualidade de que alguma dieta ou suplemento previna o câncer de próstata. Manter peso adequado, praticar atividade física e não fumar faz bem à saúde como um todo, mas não substitui o rastreamento.

Quais são os sintomas?

Na fase inicial, o câncer de próstata quase nunca dá sintomas. Jato fraco, levantar à noite para urinar e urgência costumam ser causados pelo crescimento benigno da próstata, e não pelo câncer. Sintomas como sangue na urina ou no sêmen, dor óssea e perda de peso podem aparecer em fases avançadas. Por isso, esperar sintomas não é uma boa estratégia.

Rastreamento: por que fazer o PSA

O rastreamento é feito principalmente com o PSA, um exame de sangue. O maior estudo sobre o tema, o europeu ERSPC, acompanhou mais de 160 mil homens por 23 anos e mostrou mortalidade por câncer de próstata 13% menor entre os convidados para o rastreamento; para cada 456 homens convidados, uma morte pela doença foi evitada.

Aos 40 anos, vale a primeira conversa com o urologista, com a finalidade de estratificar o risco e definir se e quando começar o PSA. Homens com pai ou irmão com a doença, vários familiares afetados ou negros devem fazer o acompanhamento a partir dos 45 anos.

Como é feito o diagnóstico hoje

O caminho atual tem etapas, pensadas para encontrar os tumores que importam e evitar procedimentos desnecessários:

  • PSA alterado e confirmado em nova dosagem
  • Ressonância magnética da próstata, que mostra se existe área suspeita
  • Biópsia dirigida à área identificada pela ressonância, quando indicada; se a ressonância for normal e o risco for baixo, muitas vezes a biópsia pode ser evitada
  • Exames de estadiamento (como o PET-PSMA), nos casos de maior risco, para saber se a doença está restrita à próstata

A biópsia define o grau de agressividade do tumor (escala ISUP, de 1 a 5, que substituiu na prática o antigo escore de Gleason como referência para o paciente). Grau, PSA e extensão do tumor formam a classificação de risco que orienta o tratamento.

Tratamento: depende do risco

Não existe um tratamento único para o câncer de próstata.

  • Vigilância ativa — para tumores de baixo risco (e alguns de risco intermediário favorável), o tumor é acompanhado com PSA, ressonância e biópsias periódicas. O tratamento só é feito se houver sinais de progressão. Isso poupa muitos homens de efeitos colaterais sem prejuízo à chance de cura.
  • Prostatectomia radical — a retirada da próstata, hoje feita principalmente por cirurgia robótica, com menor sangramento e recuperação mais rápida.
  • Radioterapia — alternativa à cirurgia em muitos casos, associada ou não a bloqueio hormonal, conforme o risco.
  • Tratamento hormonal e medicamentos modernos — para a doença que se espalhou para além da próstata, com ganhos expressivos de sobrevida nos últimos anos.

A escolha entre vigilância, cirurgia e radioterapia leva em conta o risco do tumor, a idade, a saúde geral, a função urinária e sexual atual e a preferência do paciente.

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Perguntas frequentes

Câncer de próstata tem cura?

Sim. Quando descoberto na fase em que está restrito à próstata, as chances de cura são altas com cirurgia ou radioterapia.

Todo câncer de próstata precisa ser tratado?

Não. Tumores de baixo risco podem ser acompanhados com vigilância ativa, e o tratamento só é indicado se houver sinais de progressão.

Meu pai teve câncer de próstata. Quando devo começar?

Homens com pai ou irmão com a doença devem iniciar o acompanhamento com PSA a partir dos 45 anos. Se o diagnóstico do familiar foi em idade jovem, ou se há casos de câncer de mama, ovário ou pâncreas na família, converse com o urologista sobre avaliação genética.

O que é PI-RADS?

É a escala de 1 a 5 usada no laudo da ressonância da próstata para indicar a probabilidade de câncer significativo. Quanto maior o número, maior a suspeita. Não é um diagnóstico: só a biópsia confirma.

Qual o melhor tratamento: cirurgia ou radioterapia?

Para muitos casos localizados, os resultados de cura são semelhantes. A escolha depende do risco do tumor, da idade, da saúde geral e dos efeitos colaterais de cada opção, e deve ser feita em conversa com o urologista.

Referências

  1. Cornford P et al. EAU-EANM-ESTRO-ESUR-ISUP-SIOG Guidelines on Prostate Cancer — 2026 Update. Part I: Screening, Diagnosis, and Local Treatment with Curative Intent. Eur Urol. 2026;90(3):254–269. doi:10.1016/j.eururo.2026.04.013
  2. Lin DW et al. Updates to Early Detection of Prostate Cancer: AUA/SUO Guideline (2026). J Urol. 2026;215(5):491–501. doi:10.1097/JU.0000000000004995
  3. Roobol MJ et al. European Study of Prostate Cancer Screening — 23-Year Follow-up. N Engl J Med. 2025;393(17):1669–1680. doi:10.1056/NEJMoa2503223
  4. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Estimativa 2026–2028: incidência de câncer no Brasil. gov.br/inca

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